top of page

SEIS MULHERES POR DIA

  • Foto do escritor: UP LiPSCOM
    UP LiPSCOM
  • 3 de mai.
  • 1 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Por Letícia Moreira Ludwig, Maria Aparecida Lima de Barros, Marilene de Castro Denófrio e William Henrique dos Santos


1.450 feminicídios em 2024. Em 2025, quase seis mulheres mortas por dia entre casos consumados e tentativas. Esses números revelam que a violência de gênero no Brasil não é um fenômeno isolado, é o resultado visível de séculos de controle sobre os corpos femininos. Esse controle foi construído por instituições sociais, religiosas, médicas e jurídicas que, ao longo dos séculos, definiram normas sobre o corpo, a sexualidade e o papel social das mulheres. Michel Foucault ajuda a entender como esse processo funciona: por meio dos conceitos de disciplina e biopoder, o filósofo mostra como essas normas deixaram de ser impostas pela força para serem internalizadas pelas próprias mulheres.

O diagnóstico de histeria no século XIX ilustra bem isso, comportamentos de resistência ou insatisfação feminina eram simplesmente patologizados. Simone de Beauvoir e Silvia Federici ampliam o olhar: a feminilidade é construção histórica, e o controle dos corpos femininos sempre esteve entrelaçado com interesses econômicos e políticos, não apenas morais.

As redes sociais reproduzem essa dualidade na contemporaneidade ao mesmo tempo em que fortalecem o feminismo digital e ampliam denúncias de violência, também circulam discursosmisóginos e reforçam padrões normativos. Seis mulheres por dia não é apenas uma estatística é o peso de séculos de silêncio institucionalizado. Enquanto os dados não chegarem a zero, o debate não pode parar.


(FOUCAULT, 1975; 1979; BEAUVOIR, 1949; FEDERICI, 2004; BRASIL, 2024; 2025)


 
 
 

Comentários


bottom of page