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Crianças e telas: os sinais que os pais precisam conhecer

  • Foto do escritor: UP LiPSCOM
    UP LiPSCOM
  • 1 de jun.
  • 3 min de leitura

Por Lucas Ariel de Almeida Lima

Através do convite da Profª Renata Coelho, da UniPaulistana, estive no evento na Escola de Aplicação da USP reuniu famílias, psicólogos e educadores para discutir os desafios do mundo digital na infância. O auditório da Escola de Aplicação da USP recebeu cerca de 70 pais e responsáveis para um encontro sem respostas prontas nem receitas infalíveis. O convite era outro: sentar, escutar e pensar junto. Mas os relatos que surgiram ao longo da tarde deixaram claro que o tema exige urgência, não apenas reflexão.


A abertura ficou com a professora Lela Tardivo, coordenadora do Apoiar IPUSP, psicóloga e docente há mais de 50 anos na USP. Antes de falar em limites de tempo de tela, ela pediu à plateia que lembrasse de amarelinha, bolinha de gude e ligações discadas que podiam demorar dias para serem completadas. "Hoje não dá nem tempo de sentir saudade", disse ela. O tom não era de nostalgia: os adolescentes estão preocupando, e os espaços de conversa e escuta se tornaram necessários.


Com base nas orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde, a professora Leila elencou os limites recomendados por faixa etária, nenhuma tela antes dos dois anos; no máximo uma hora por dia, com supervisão, para crianças de dois a cinco, e listou os sinais que merecem atenção: irritação intensa ao desligar a tela, isolamento social, queda no desempenho escolar, alterações no sono e perda de interesse por qualquer atividade que não envolva o aparelho. "Antes da bronca, é preciso perguntar: o que está acontecendo aqui?", disse ela.


Imagem gerada por IA (2026)
Imagem gerada por IA (2026)

A explicação passa pela neurociência. O lobo frontal, responsável pelo controle, pela lógica e pela tomada de decisão, só atinge maturidade plena por volta dos 24 ou 25 anos. Enquanto isso, o sistema límbico, ligado às emoções, já opera em plena atividade. "É como um cassino", comparou um dos pais na roda de conversa. "A criança continua rolando em busca da recompensa, e o lobo frontal ainda não está pronto para dizer chega." As plataformas digitais, projetadas para maximizar o tempo de uso, exploram exatamente esse desequilíbrio. Os riscos, porém, não se limitam ao tempo de exposição. A professora Leila citou o cyberbullying, desafios que circulam em aplicativos, conteúdos que ensinam a se machucar e o sexting entre adolescentes.


Na roda de conversa mediada por estagiários de psicologia, os relatos revelaram um cotidiano reconhecível por quase todos. Uma mãe contou que a filha, mesmo sem acesso ao YouTube na TV e sem celular próprio, encontrou um vídeo pelo Spotify. "Por mais que a gente tenha controle parental, sempre tem uma brecha."


Outra relatou que, ao ter o aparelho retirado por recomendação médica, a filha passou a se bater no rosto e a recusar escola, alimentação e qualquer atividade. "Foi quando conheci de verdade quem era a minha filha no auge da frustração. Tudo que estava represado apareceu de uma vez." Um pai que trabalha com desenvolvimento de tecnologia mobile trouxe uma síntese que ecoou na sala: quando está junto e dá direcionamento, a tela pode ser muito boa; quando a criança entra sozinha apenas para passar o tempo, é muito nociva.


Uma mãe que estava acompanhando o encontro colocou em palavras o paradoxo que muitos vivem: "Os pais muitas vezes erram tentando acertar. É uma linha muito tênue entre o limite e o excesso." E completou: "Quando o filho está em casa, a gente acha que está seguro. É justamente aí que mora um dos perigos."


O encontro terminou, mas a pergunta que ficou no ar não tem resposta fácil: o que fazemos agora? A professora Leila havia visitado, na semana anterior ao evento, uma escola onde uma adolescente de 15 anos havia morrido. O Brasil registra os maiores índices de cyberbullying do mundo e concentra na faixa de 15 a 24 anos o maior número de suicídios do país. Esses não são dados distantes. São filhos, alunos e vizinhos. Conhecer o que a criança acessa, criar rotinas com espaço para brincadeira e convívio real e manter o diálogo aberto não são sugestões opcionais. São, segundo os especialistas presentes, o mínimo necessário para que a tela não vire o único lugar onde a criança sente que existe.


A LiPSCOM, Liga Acadêmica de Psicologia Social da Comunicação e Mídia da UniPaulistana, esteve presente no evento como parte de seu trabalho de cobertura jornalística de iniciativas que articulam saúde, educação e comunidade.

 
 
 

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