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A herança de Nise da Silveira e os desafios da saúde mental hoje

  • Foto do escritor: UP LiPSCOM
    UP LiPSCOM
  • 20 de mai.
  • 2 min de leitura

Por Lucas Ariel de Almeida Lima


Em meio às discussões promovidas pela Liga Universitária Junguiana (CUSC) durante o Evento da Luta Antimanicomial 2026, realizado na UniPaulistana, um nome atravessou praticamente todas as reflexões sobre cuidado, escuta e saúde mental: Nise da Silveira.

Psiquiatra, pesquisadora e uma das figuras mais importantes da história da saúde mental no Brasil, Nise revolucionou a maneira como pacientes psiquiátricos eram vistos dentro das instituições. Em uma época marcada por eletrochoques, contenções violentas e tratamentos desumanizantes, ela propôs algo que parecia simples, mas que transformaria profundamente a Psicologia e a Psiquiatria brasileiras: enxergar o paciente como ser humano.

Mais do que discutir técnicas ou diagnósticos, o encontro trouxe uma reflexão urgente sobre os modos de cuidado que ainda permeiam a sociedade contemporânea. Em diferentes momentos da palestra, estudantes e convidados destacaram como o legado de Nise continua atual diante dos desafios da saúde mental hoje.


Uma das frases que mais marcou o encontro resume justamente essa perspectiva:

 

“O vínculo é uma tecnologia de cuidado.”


A frase evidencia uma das maiores contribuições de Nise da Silveira: compreender que a escuta, a presença, a criação de laços e o reconhecimento da subjetividade são também formas legítimas de cuidado em saúde mental.


Ao substituir o termo “paciente” por “cliente”, Nise não buscava apenas mudar palavras, mas transformar relações. Seu trabalho no Hospital Pedro II, no Engenho de Dentro, e posteriormente na criação da Casa das Palmeiras, mostrou que arte, afeto, criatividade e convivência poderiam abrir caminhos de reorganização psíquica e reintegração social.

Durante o evento, também foi discutido o papel fundamental da universidade na construção dessa visão mais humanizada da Psicologia. Em tempos marcados pela aceleração tecnológica, pela sobrecarga emocional e pelas transformações sociais, os palestrantes reforçaram a importância da formação crítica e interdisciplinar.


Outra fala destacada ao longo da discussão foi:

 

“A gente não consegue modificar a realidade se não lê, não estuda e não conversa com pessoas de outras áreas.”

 

A frase reforça a ideia de que pensar saúde mental exige diálogo entre diferentes campos do conhecimento, além da construção coletiva de redes, vínculos e espaços de troca.


Ao longo do encontro, temas como arte, mitologia, Psicologia Analítica, luta antimanicomial, CAPS, cuidado comunitário e humanização apareceram como caminhos possíveis para uma prática psicológica mais ética, sensível e conectada à realidade social. Mais do que revisitar a história de Nise da Silveira, o evento propôs uma pergunta importante para estudantes e profissionais da saúde:

 

Como construir formas de cuidado mais humanas em um mundo cada vez mais acelerado, individualista e adoecido?

 

Talvez a resposta comece justamente naquilo que Nise nunca abandonou: o vínculo, a escuta e a coragem de continuar enxergando humanidade onde muitos já não conseguiam ver.

 
 
 

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